Trouxemos hoje um vídeo muito intenso. Composto por imagens de crianças que mesmo tão pequenas, tem de trabalhar duro e dar um jeito de sobreviver nas ruas, sem um lar. Crianças que dormem na calçada e, como diz no poema que acompanha as imagens, se cobrem com os raios do luar. Infância, algo essencial na vida de qualquer pessoa , é algo desconhecido destes pequenos seres. Sem lar, infância ou estrutura familiar o que se pode esperar destas crianças quando se tornarem adultas?
As maneiras de reagir diferem de pessoa para pessoa, mas a princípio não é de se esperar que criem uma consciência de cidadão. Pois, esquecidos pelo sistema, muitas vezes nem certidão de nascimento possuem.
Confira este rico material que traz como acompanhamento a música Gente Humilde de Chico Buarque. Juntas a música e a coletânea de imagens desta produção formam uma composição muito interessante.
Se o lendário vocalista da banda Queen Farrokh Bulsara, conhecido mundialmente como Freddie Mercury, ainda estivesse vivo, ele estaria comemorando seus 65 anos de idade hoje.
Há 20 anos atrás, Freddie Mercury deixou este mundo em virtude de estar infectado com a AIDS. Ainda assim, a morte não foi capaz de apagar o seu legado, o qual se estende muito além do universo da música. A síndrome da imunodeficiência adquirida é um dos maiores males de nossa sociedade e milhares de vidas por ela já foram ceifadas, principalmente nas regiões mais carentes do globo. Existem inúmeras iniciativas para ajudar as pessoas que sofrem em virtude dessa doença e combater a sua proliferação, uma delas a qual se refere ao supracitado cantor.
Todo ano no dia de seu aniversário, a Mercury Phoenix Trust, uma instituição fundada pelos membros do Queen com o objetivo de combater a AIDS, promove o Freddie For a Day, a qual incentiva as pessoas a homenagearem o cantor de alguma forma (normalmente usando um bigode falso ou uma bandana, marcas registradas do artista) afim de conscientizar as massas quanto dos perigos da doença.
Mesmo vivendo na era da informação, milhares de pessoas ainda estão à mercê destes males microscópicos. É de grande importância valorizar campanhas como esta, para que pandemias como a AIDS não nos parem agora.
A Anistia Internacional, uma organização não-governamental com foco na defesa aos direitos humanos, disponibilizou hoje o seu relatório anual sobre os direitos humanos, o qual revela informações preocupantes no que se diz respeito à violência urbana e a pobreza no Brasil.
Apesar dos constantes esforços para combater a pobreza no nosso país, ainda presenciamos uma enorme desigualdade em nossa sociedade. Não obstante, ainda sofremos com os altos índices de violência nas grandes metrópoles brasileiras. Estes são dois pontos onde o Brasil é criticado pela Anistia. Entre os pontos destacados pela organização, foi mencionado o caos que é gerado pelos combates entre policiais e bandidos, o abuso de poder por parte de alguns policiais e a formação de milícias, a situação precária do sistema penitenciário brasileiro, o descaso das autoridades com relação aos desabamentos e os milhões de brasileiros que foram feridos e ficaram desabrigados e as más condições dos trabalhadores rurais e comunidades indígenas.
Em seu relatório, a Anistia apresentou muitos argumentos válidos, os quais se tratam de nada menos do que velhos problemas que há tempos vem se alastrando.
Todos nós devemos ter alguma noção referente à qualidade do ensino brasileiro. Como refletido no nosso cotidiano, é notável como o nível intelectual da população em geral não é admirável. Apesar de a nossa nação estar num ritmo contínuo de desenvolvimento econômico, ainda existem inúmeros aspectos os quais não estão o seguindo o mesmo este ritmo de crescimento. É trágico que a educação, o meio que constitui a base do conhecimento e dos valores de um indivíduo encontra-se em tão precário estado. Como consequência, grande parcela da população logo se encontra em um caminho sem rumo, presos a uma realidade que poderia ser transformada através do estudo.
Tal argumento está exemplificado na charge desta semana. Enquanto o garoto demonstra interesse no seu desenvolvimento intelectual, sua mãe, já acostumada e estagnada em suas condições de pobreza, considera o desejo de seu filho como algo utópico. Provavelmente, o garoto logo também irá se juntar aos milhares de outros brasileiros os quais não puderam ser iluminados pelo estudo e agora se encontram involuntariamente presos em um eterno universo de miséria.
O desemprego é uma realidade não apenas no Brasil, mas sim em vários países europeus e asiáticos. Com a crise mundial em 2008, a economia sofreu um grande abalo, comparada a 1929 na qual a primeira crise mundial afetou a economia americana, com a quebra da bolsa. No entanto o Brasil saiu-se fortalecido das duas crises mundiais, na primeira após 1929 o Brasil começou a investir em industrias, assim com o café a economia se solidificava para crescer no futuro. Em 2008 a crise não foi tão forte no Brasil quanto em outros países, no entanto multinacionais aqui presentes tiveram que encerrar suas atividades no pais a fim de diminuir custos e evitar a falência. O desemprego é um forte indicador de desigualdades sociais, pois o desempregado depende cinco meses do auxílio do governo, então muitos desempregados esperam para procurar emprego quando os benefícios estão acabando, dessa forma prejudica a economia do país e também a sua careira, pois quanto mais tempo fora do mercado de trabalho mais difícil é encontrar um bom emprego. Hoje em dia é muito importante que as pessoas se preparem para exercer cargos importantes, e o estudo é de suma importância, sendo que muitos cargos exigem nível escolar, seja fundamental, médio ou superior. Quanto mais tempo uma pessoa passa dentro de uma sala de aula maior será o seu salário em um futuro próximo. Dessa forma é desde os primeiros anos da nossa vida que nos preparamos para exercer uma atividade, e depende de cada um para que essa atividade esteja de acordo com o que esperava.
Essa musica do Grabriel, o pensador é de caracter social,e está ilustrada por um vídeo do conhecido personagem Seu Madruga do seriado Chaves. A musica narra uma pequena história de diversas fases que uma pessoa desempregada pode passar, chegando até a optar pelo crime quando parece não haver mais solução.
Essa é a dança do desempregado Quem ainda não dançou tá na hora de aprender A nova dança do desempregado Amanhã o dançarino pode ser você E vai levando um pé na bunda vai Vai por olho da rua e não volta nunca mais E vai saindo vai saindo sai Com uma mão na frente e a outra atrás E bota a mão no bolsinho (Não tem nada) E bota a mão na carteira (Não tem nada) E bota a mão no outro bolso (Não tem nada) E vai abrindo a geladeira (Não tem nada) Vai porcurar mais um emprego (Não tem nada) E olha nos classificados (Não tem nada) E vai batendo o desespero (Não tem nada) E vai ficar desempregado Essa é a dança do desempregado Quem ainda não dançou tá na hora de aprender A nova dança do desempregado Amanhã o dançarino pode ser você E vai descendo vai descendo vai E vai descendo até o Paragüai E vai voltando vai voltando vai "Muamba de primeira olhaí quem vai?" E vai vendendo vai vendendo vai Sobrevivendo feito camelô E vai correndo vai correndo vai O rapa tá chegando olhaí sujô!... E vai rodando a bolsinha (Vai, vai!) E vai tirando a calcinha (Vai, vai!) E vai virando a bundinha (Vai, vai!) E vai ganhando uma graninha E vai vendendo o corpinho (Vai, vai!) E vai ganhando o leitinho (Vai, vai!) É o leitinho das crianças (Vai, vai!) E vai entrando nessa dança Essa é a dança do desempregado Quem ainda não dançou tá na hora de aprender A nova dança do desempregado Amanhã o dançarino pode ser você E bota a mão no bolsinho (Não tem nada) E bota a mão na carteira (Não tem nada) E não tem nada pra comer (Não tem nada) E não tem nada a perder E bota a mão no trinta e oito e vai devagarinho E bota o ferro na cintura e vai no sapatinho E vai roubar só uma vez pra comprar feijão E vai roubando e vai roubando e vai virar ladrão E bota a mão na cabeça!! (É a polícia) E joga a arma no chão E bota as mãos nas algemas E vai parar no camburão E vai contando a sua história lá pro delegado "E cala a boca vagabundo malandro safado" E vai entrando e olhando o sol nascer quadrado E vai dançando nessa dança do desempregado Essa é a dança do desempregado Quem ainda não dançou tá na hora de aprender A nova dança do desempregado Amanhã o dançarino pode ser você
Em todo o ano que acaba com zero, ou seja, de dez em dez anos é realizado no Brasil o censo. Através deste, os governantes conseguem saber as condições de vida da população que reside em todo território nacional. Assim podem tomar medidas públicas que melhorem as qualidades de vida de todos os cidadãos. Na charge podemos observar que o Brasil está dividido de um lado a periferia com rachaduras no solo e uma corda arrebentada da faixa, isso mostra a precariedade que vivem as pessoas das periferias da Brasil. No entanto de outro lado temos prédios, helicóptero, um solo sem rachaduras, assim refletindo outra realidade. Bairros nobres e periferias existem na grande maioria das cidades. As periferias brasileiras são precárias com carência de infra estrutura, subemprego e segragação social. De outro lado bairros nobres é onde concentram-se os terrenos de maior valor comercial e é comum observar condominios fechados, onde que devido a falta de segurança as pessoa optam por estes lugarem para morar, sendo que lá elas tem tudo o que precisam. Essa charge ilustra bem que ainda existe muita desigualdade entre os mais pobres e ricos no Brasil.
Quando seu dia é longo E a noite - a noite é solitária, Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida, Continue em frente
Não desista de si mesmo, Pois todo mundo chora E todo mundo se machuca, às vezes...
Às vezes tudo está errado, Agora é hora de cantar sozinho. Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme) Se você tiver vontade de desistir (aguente firme) Se você achar que teve demais desta vida, Para prosseguir...
Pois todo mundo se machuca, Consiga conforto em seus amigos. Todo mundo se machuca... Não se resigne, oh, não! Não se resigne Quando você sentir como se estivesse sozinho. Não, não, não, você não está sozinho...
Se você está sozinho nessa vida, Os dias e noites são longos, Quando você sente que teve demais dessa vida para seguir em frente
Bem, todo mundo se machuca Às vezes, todo mundo chora E todo mundo se machuca, às vezes Mas todo mundo se machuca, às vezes Então aguente firme
(7x) aguente firme, aguente firme...
Todo mundo se machuca
Você não está sozinho
Esta música da banda REM foi usada como single de ajuda ás vítimas do terremoto que assombrou o Haiti. Lançada em 1993 fez muito sucesso no Reino Unido onde vendeu cerca de 205 mil cópias em dois dias. Analisando a musica de um modo geral podemos observar a mensagem que ela nos traz ao fazer alusão que mesmo quando tudo está perdido não podemos desistir. Essa mensagem tentou ser passada às pessoas que perderam tudo no terremoto do Haiti, país que não tinha uma estrutura para suportar um tremor de tão grande intensidade. No Chile ocorreu um terremoto pouco tempo depois, porém como o país estava estruturalmente mais preparado não teve tanto prejuízos como o Haiti. País este que deu um grande avanço no tempo ao ser o primeiro a libertar os escravos, no continente americano e hoje atrasado perante outros países sofre com a pobreza da maioria da população. Com a ajuda internacional, com pessoas se mobilizando, enviando alimentos e viajando até lá para ajudar com os feridos mostrou que mesmo em um mundo onde apenas ouvimos falar em interesses individuais das pessoas, se tornou no momento de ajuda um interesse social, de todos se comovendo para ajudar de alguma forma. A musica traz essa mensagem “Aguente firme, aguente firme... Todo mundo se machuca, Você não está sozinho”
A ilustração desta semana traz como cenário um berçário onde os bebês ficam expostos logo após seu nascimento, o que chama a atenção neste lugar é que dentre os indivíduos ali apresentados um esta retratado de maneira diferente, com a pele verde e com seus olhos escondidos por um tarja preta. É possível observar também que dois senhores distintos estão dialogando na parte externa ao berçário. Um dos senhores é de aparência requintada, vestido com trajes sociais e provavelmente possui um bom emprego e moradia. O outro senhor é de aparência humilde, vestido de maltrapilhos e possivelmente possui um péssimo emprego e moradia.
Os dois estão observando os nenês e o homem de condições favoráveis comenta sobre quem é seu filho e pergunta quem é o filho do homem menos favorecido. O senhor humilde apenas pede que o outro adivinhe. É de fácil percepção que o filho do segundo falante é o bebe excepcional, diferente da maioria, mas porque ele se encontra retratado desta maneira?
Porque culturalmente quem não tem condições, quem é maltrapilho, é visto de maneira diferente desde seu nascimento. A pessoa que nasce assim é dita como perdida, pois é extremamente raro que consiga ajuda para melhorar sua condição de vida. O bebê verde está marcado com uma tarja preta porque a sociedade se esforça ao máximo para não enxergar estas pessoas, finge que está tudo bem pela comodidade, fazendo com que estes indivíduos desfavorecidos fiquem no anonimato e continuem a viver na miséria a que nasceram condenados.
Querido Sr. Presidente Venha dar um passeio comigo Vamos fingir que somos somente duas pessoas e Você não é melhor do que eu Eu gostaria de te fazer algumas perguntas se pudermos conversar honestamente O que você sente quando vê tantos desabrigados nas ruas? Por quem você reza todas as noites antes de ir dormir? O que você sente quando se olha no espelho? Você está orgulhoso? Como você dorme enquanto o resto de nós chora? Como você sonha quando uma mãe não teve a chance de dizer adeus? Como você caminha com a cabeça erguida? Você poderia ao menos olhar nos meus olhos E me dizer porque? Querido Sr. Presidente Você foi um garoto solitário? Você é um garoto solitário? Você é um garoto solitário? Como você pode dizer Que nenhuma criança é deixada pra trás Nós não somos burros e nós não somos cegos Eles estão todos sentados em suas celas Enquanto você pavimenta uma estrada para o inferno Que tipo de pai tiraria os direitos da própria filha? E que tipo de pai poderia odiar a própria filha se ela fosse gay? Eu só posso imaginar o que a primeira-dama tem a dizer Você veio de um longo caminho de uísque e cocaína Como você dorme enquanto o resto de nós chora? Como você sonha quando uma mãe não teve a chance de dizer adeus? Como você caminha com a sua cabeça sempre erguida? Você poderia ao menos olhar nos meus olhos Deixe-me te falar sobre trabalho duro Salário minimo com um bebê a caminho Deixe-me te falar sobre trabalho duro Reconstruindo sua casa depois que as bombas a levaram embora Deixe-me te falar sobre trabalho duro Construindo uma cama feita de caixas de papelão Deixe-me te falar sobre trabalho duro Trabalho duro Trabalho duro Você não sabe nada sobre trabalho duro Trabalho duro Trabalho duro Oh Como você dorme a noite Como você anda de cabeça erguida Querido Sr. Presidente Você nunca iria dar um passeio comigo Você iria?
Comentário sobre a música
Apesar do tom revoltado que a música possui contra o presidente dos Estados Unidos na época em que a música foi feita, George W. Bush, podemos estender essa crítica a maioria dos líderes mundiais.
A população precisa fazer esse tipo de pergunta a todos os governantes de suas nações. Enquanto estão preocupados em realizar viagens por todo o globo e se reúnem em diversos encontros infrutíferos, preocupam-se em manter-se no poder e em tirar proveito dos cargos que ocupam, deveriam estar preocupados em fazer de fato com a população.
Ao mesmo tempo em que muitos não possuem onde morar, sofrem com doenças causadas pela falta de saneamento básico nas cidades, que precisam trabalhar em condições inóspitas para garantir um pouco de dinheiro para comprar comida para sobreviver, políticos perdem seu tempo em manobras políticas, especialmente nos países que mais precisam, como o Brasil.
Ao passo que se acha bonito que alguém tenha sido guerrilheiro ou terrorista, como preferir, milhares morrem nos conflitos ao redor do mundo, em guerras injustificadas e movidas pela ganância como as que os próprios Estados Unidos moveram contra o Iraque e o Afeganistão. Qualquer que seja a luta, por mais terrível que seja o inimigo, igualar-se a ele e ainda depois ter orgulho disso é inadmissível. Todos devemos aprender a negociar.
As atitudes dos líderes mundiais é deplorável e eles devem se preocupar mais em resolver de fato os problemas da população de seus respectivos países, sem gastar tanto em guerras e luxos. Cabe a sociedade questionar as atitudes desses líderes.
No entanto, como diz a música, esses todo-poderosos governantes, nunca admitiriam ser questionados por pessoas normais. Só a união de todos contra as injustiças farão que essa realidade mude.
Madri, 7 out (EFE).- A secretária executiva da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, disse nesta quinta que a região deve aproveitar seu "bom momento para reconstruir sua malha produtiva" e seguir crescendo, além de ter negado que a superação da desigualdade seja uma utopia.
Alicia participou hoje do I Encontro "Ágora, América Latina. 100 vozes diferentes, um compromisso comum", organizado pela Fundação Internacional e para a região Ibero-Americana de Administração e Políticas Públicas (Fiiapp) e que acontece até amanhã no Jardim Botânico de Madri.
"A região deve aproveitar esta boa época para investir em ações produtivas, em política industrial, em inovação, em tecnologia, em infraestruturas e em um projeto a longo prazo, como a educação", destacou em declarações à Agência Efe, antes de dizer que a região deve "reconstruir sua malha produtiva para poder articular os produtores com as pequenas e médias empresas".
Alicia falou ainda da desigualdade na América Latina e assinalou que o Estado é o único que pode distribuir a renda.
"A redistribuição desta renda deve se feita a partir de programas sociais eficazes", disse, usando como exemplos alguns programas realizados no México e no Brasil, que segundo ela foram capazes de "chegar à pobreza mais dura" da região.
Trata-se, apontou a secretária, de gerar outro tipo de "transferências mais universais", como a previdência a mulheres que trabalharam durante toda a vida em casa sem remuneração, apontando que a mulher hoje em dia "está mais bem preparada" que o homem na América Latina e no Caribe.
Também solicitou investimentos em programas sociais de apoio à infância e em creches, aproveitando para negar que a desigualdade atualmente seja hoje em dia uma "utopia".
Durante o encontro, Alicia participou do debate "Estado e mercado frente à desigualdade", no qual assegurou que a América Latina deve resolver "quatro brechas": a desigualdade social, a tecnológica, a fiscal e o investimento.
"Não é possível que as pequenas e médias empresas, que geram 80% do emprego, não tenham acesso à inovação e ao financiamento", acrescentou.
Para Alicia, "a chave-mestra da igualdade é o emprego decente, e para isso é muito importante a educação".
"Igualdade e democracia são as duas caras de uma mesma moeda", disse a secretária executiva da Cepal.
Comentário sobre a notícia:
Como explanou Alicia Bárcena no artigo supracitado não é impossível superar as desigualdades na América Latina, depende de investimentos e vontade, mas nunca deixou de estar em nossas mãos o poder para combater as desigualdades. Está muito claro que um dos pontos mestres para o combate aos desníveis sociais é um bom emprego, mas até quando será preciso esperar para que estas medidas que sempre estiveram estampadas na cara das pessoas se tornem realidade? O grande problema encontrado por quem luta para combater este mal do século sempre foram as promessas. Tudo pode e será feito, mas sem data definida. Milhares de pessoas morrem a cada minuto de fome, isso não é novidade, neste blog já foram citados "n" dados sobre esta fatalidade, mas enquanto não atingir a quem detém o poder essas promessas não serão tratadas com a urgência que necessitam. Como disse certa vez Karl Marx, não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência. Sendo assim quem detém o poder se interessa apenas consigo, enquanto quem vive a mercê do poder alheio tem que se preocupar com as vontades dos donos do capital que interferirão de maneira radical em seu futuro.
A imagem desta semana nos remete a grande disparidade existente entre a população, em que os detentores do capital e por conseqüência do poder estão sempre crescendo enquanto a população se afunda cada vez mais. Esta gritante diferença presente desde sempre em nossa sociedade é representada de maneira descontraída, porém exata com um personagem bem vestido e alimentado sentado em uma seta crescente representando os detentores do poder, e apenas uma mão emergindo do buraco para representar a calamidade em que sobrevive a população de baixa renda.
Mas como será que aquele senhor conseguiu atingir aquela seta e o cidadão apenas afundou em um buraco? Quem detém o poder verdadeiramente sempre foi a população, pois quando unida não há jeito de dissolver o seu requerimento. Porém a população a partir de vários processos históricos se deixou dominar por alguns e o resultado é o gráfico representado acima. Quem está no buraco jamais alcançará os pés de quem se sentou na flecha verde, porém se cada um fizer sua parte poderemos juntos tirar o cidadão do buraco e lhe proporcionar uma vida ao invés da sobrevida na qual ele se encontra.
A charge desta semana nos remete novamente à temática da política em nosso país.
Todos devem muito bem se lembrar dos diversos escândalos que ocorreram no cenário da política brasileira nos últimos tempos. Desvios monumentais de verba pública foram realizados, sendo levados aos cofres dos poucos detentores do poder envolvidos na trama. Dinheiro este que deveria estar sendo investido em prol da população brasileira, afim de melhorar a qualidade da educação, saúde, segurança e tantas outros fatores da sociedade onde vivemos.
Enquanto os envolvidos destes lamentáveis acontecimentos planejavam ou executavam suas atividades corruptas, milhões de habitantes do nosso Brasil beiravam à pobreza, lutando contra as dificuldades de um cotidiano sofrível e injusto, sendo esta a idéia expressa pela charge.
Você já escolheu os candidatos em quem vai votar? Você tem certeza absoluta que conhece o candidato escolhido? Você está ciente do passado do tal candidato? Lembre-se que a única maneira de evitar os escândalos que enriquecem os políticos desonestos e acentuam o cenário de desigualdade no nosso país é certificando-se que os candidatos em que votamos não são propícios a tais atividades vergonhosas.
A charge desta semana tem o objetivo de demonstrar a diferença entre duas camadas da sociedade. Dois lados oposto, demostrando alguns fatores, como a saúde pública precária, sendo que apenas quem pode pagar usuflui de um serviço eficiente. A charge também tem a seguinte frase " Ex dono de esperanças" ilustrando a figura do cidadão que não tem nada na vida, essa frase pode ter inúmeros significados, um deles pode ser a falta de oportunidades dessas pessoas que tinham esperanças de ter um classe social mais elevada. Além disso, o sorisso das duas partes é o que se tem no Brasil, as duas camadas sociais parecem estar satisfeitas com as condições atuais. Nesses tempos de eleição, se ouve muitas promessas, projetos e conversas de políticos que não conhecem nem ao menos as condições socias de seus eleitores. Um político tem que além de batalhar por quem o colocou no poder, demostrar resultados que satisfação a população. Em ano de censo teremos uma noção maior dos reais problemas do Brasil e cabe aos governantes o dever de solucionar os problemas brasileiros, para aí sim todos poderem sorrir às graças de um país que ainda tem muito o que melhorar.
Recentemente foi iniciado o período de propaganda eleitoral que precede as eleições que realizaremos em breve. Em virtude deste acontecimento, trouxemos especificamente esta charge nesta semana.
Podemos considerar esta charge como auto-explicativa. A imagem retratada nos revela a realidade do período de eleições. Sempre somos surpreendidos com enxurradas de promessas, das quais apenas poucas são concretizadas. Podemos ainda levar em consideração o fato de que as eleições são, para muitas famílias pobres, apenas um período onde podem receber um leve e rápido auxílio (dinheiro, setas básicas, etc.) em troca do seu voto. Por mais que esse ato seja antiético, as condições de pobreza em que estes habitantes vivem não permite a eles recusar tal proposta.
São de causos como este que a política no país é realizada. Muito mais do que promessas e propaganda, a exploração das camadas mais pobres da população também deve ser realçada.
Portanto, pedimos a todos os eleitores do nosso país que escolham os candidatos aos quais darão os seus votos com muita cautela. Não podemos nos permitir entregar o nosso voto em troca de adornos ou musiquinhas pegajosas. O voto consciente é o único caminho para impedir que políticos sem caráter cheguem ao poder e para que pessoas capacitadas possam lutar pelos direitos da população brasileira, afim de contornar as duras condições da nossa realidade contemporânea.
As desigualdades se refletem em diversos aspectos de nosso cotidiano. Cenários presentes em nossa cidade são considerados um bom exemplo desta idéia. Certamente nosso cotidiano acelerado não nos permite observar estes pequenos detalhes que caracterizam os contrates das classes sociais. Para compreender um pouco mais escolhemos algumas fotos de nossa autoria. Nestas fotos é possível observar o quão gritante são as diferenças nas moradias de pessoas de classes sociais distintas.
As fotos apresentadas condizem com a realidade não somente da cidade de Passo Fundo como do país inteiro. Tendo isso em vista não é preciso procurar muito para encontrarmos tais cenários em nossas vizinhanças ou nos mais diversos bairros de nossos locais de moradia, de trabalho ou de lazer. Para visualizarmos essas paisagens não agradáveis basta, às vezes, olharmos através de nossas janelas e de fato tentarmos ver o que está a nosso redor.
Postado por: Alisson Tres, Alisson Serraglio, Clei e Patrícia
Trouxemos para esta postagem uma imagem que ilustra que muitas vezes quem inicia os ciclos de agressão são membros das classes mais altas. Apesar de haver um senso comum entre as classes elevadas de que membros das mais baixas são marginais violentos, estes que possuem condições financeiras superiores acabam por ser os verdadeiros praticantes de violências, cometidas contra as pessoas mais necessitadas. Não necessariamente uma violência física, mas normalmente a violência verbal, como mostrado na charge.
Muitas vezes esta agressão verbal deixa mais marcas do que uma física, visto que uma agressão física possui uma facilidade maior de recuperação, enquanto a verbal traumatiza profundamente o psicológico do indivíduo. Não se pode levar pela imagem de um estereótipo criado por uma sociedade discriminadora. O caráter de alguém não se forma através da classe social que participa.
Postado por: Alisson Tres, Alisson Serraglio e Patrícia
A atriz global Angelina Jolie é considerada na atualidade a embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados por suas notáveis viagens até os campos de refugiados. Local onde a atriz vai não só para mostrar a triste realidade dos refugiados como também para aprender com eles lições para sua vida.
A temática dos refugiados se mostra como algo relevante a ser observado dentro da análise das desigualdades sociais. Grande maioria deles vive em condições de miséria absoluta, tendo ainda que conviver numa realidade marcada pelos conflitos armados. Em 2009, Angelina Jolie realizou um discurso comentando sobre como os refugiados causaram grande impacto em sua vida. Observando como o discurso consegue retratar a realidade enfrentada pelos refugiados, nós trabalhamos numa tradução do discurso, para poder trazer o seu conteúdo aqui no blog.
Considerações a cerca de alguns comentários de Angelina:
Um refugiado propriamente dito é, segundo o que fora especificado na Convenção de Genebra de 1951, “toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo”.
O Dia Mundial dos Refugiados é uma data celebrada no dia 20 de Junho. Em visto às comemorações do 50º aniversário da Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados (também conhecida como Convenção de Genebra de 1951), no dia 4 de dezembro de 2000 foi decidido que a partir do próximo ano, todo dia 20 de Junho seria dedicado aos refugiados. A ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) é quem realiza esse evento. O evento é sempre realizado na capital americana, e sempre possui um tema específico, que trabalhado durante a cerimônia.
Durante o seu discurso, Angelina menciona a Parable of the widow's mite (traduzindo, a Parábola da moeda da viúva), a qual conta que certa vez Jesus observava as doações feitas pelos homens ricos, e percebe a presença de uma velha viúva, que tinha doado apenas duas moedas do menor valor monetário da época, sendo que era tudo o que ela possuía. Jesus comenta que a doação da viúva tinha mais valor do que as feitas pelos homens ricos, pois eles entregavam apenas uma pequena quantia de tudo o que possuíam, ao contrário da viúva que havia doado todo o que possuía. Essa parábola, conforme mencionado por Angelina, realça que os pobres muitas vezes são os mais generosos.
Angelina menciona algumas regiões do globo, as quais são marcadas por conflitos. Darfur é uma região localizada no extremo oeste do Sudão, caracterizado pelo baixo nível de desenvolvimento e pelos conflitos entre árabes e não-árabes. O Vale de Swat é uma região do Paquistão, às margens do rio Swat. Anteriormente era com popular ponto turístico, mas quando foi capturada pelos Talibãs, passou a ser um local marcado por conflitos armados.
Hoje trazemos a parte final da narrativa que criamos para divulgação no blog intitulada Sonho de uma realidade perdida. Caso você tenha perdido alguma das partes anteriores, você pode conferi-las nestes links: Parte 1, parte 2 e parte 3.
Em um grito agudo, Zyndal inclina o seu corpo para frente. Ao examinar as redondezas, logo percebeu que já não se encontrava mais no reino dos sonhos. Seu rosto, seu pijama e sua cama estavam encharcados em suor. Sua respiração estava ofegante, os olhos esbugalhados e o coração em disparada. Levantou-se lentamente e arrastou os pés até o banheiro. Escovou os dentes e encarou o reflexo no minúsculo espelho do banheiro por alguns minutos. Entrou no boxe do banheiro e perdeu a consciência, transformando suas rápidas chuveiradas num longo banho. Não preparou café nem vasculhou a geladeira e os armários atrás de algo para abocanhar. Estava sem apetite. Vestiu-se e partiu para o trabalho.
Caminhava lentamente para o escritório, ao contrário dos passos largos que sempre dava para chegar o quanto antes no escritório. Não estava com o olhar fixo e desprendido do resto mundo. Olhava atentamente para os lados o mundo ao seu redor. Os mendigos dormindo na calçada, as crianças, algumas pedindo esmola, outras trabalhando varrendo a rua, engraxando sapatos ou vendendo doces ou bugigangas. Uma outra se sentava escondida com um olhar hipnotizado. Drogada provavelmente. No escritório, o tempo parecia não passar. O monitor do computador brilhava e a mesa estava coberta de papéis. Zyndal não conseguia se concentrar no trabalho. A única coisa que conseguia pensar era no sonho e nas imagens que vira na rua. Tudo estava embaralhado em sua mente. Esforçava-se para juntar tudo o que tinha dentro dela, pois sentia que havia um significado maior em tudo aquilo. Permaneceu naquele estado meditativo até perceber que no relógio no canto do computador marcava o meio dia. Saiu silencioso, enquanto o seu supervisor olhava atravessado.
Ainda sem apetite, vagou pelo centro da cidade sem rumo. Parou na praça em frente à catedral. Sentou-se no primeiro banco vago que avistou, primeiramente cabisbaixo, em seguida fitando o cenário do parque. Seus olhos perambularam para os lados até terem passado por uma cena que chamou-lhe a atenção. No meio da praça, voluntários distribuíam alimentos e roupas para os menos afortunados. Muitas crianças rodeavam aquela parte do parque. Zyndal olhava fixamente para aquela direção. Era semelhante à cena do seu sonho, aquela que tanto o havia encantado. Mas aqui, havia algo diferente nela. Ela era real. No meio de tanta gente, sua visão volta-se para um menino de mãos dadas a uma velha senhora, se aproximando para receber donativos. Ao receber roupas, comida e um brinquedo, seus olhos brilharam. Eis que então, logo após aquela cena, os olhos de Zyndal também brilharam. Lentamente seu corpo se posiciona em pé, enquanto sua mente se deslumbre com a grande revelação. Memórias perdidas. Memórias que o tempo, o sofrimento a própria realidade em que se encontrava tornaram perdidas dentro da mente de Zyndal.
Recordava-se da infância. Nasceu numa família humilde. Os pais ainda eram jovens, e por desventura do destino também morreram jovens. Desde pequeno, ficou sobre os cuidados da avó. Ela sempre se mantinha esperançosa quanto ao futuro do pequeno Zyndal. Não o chamava por este nome, mas por um apelido: Zap. Chamou-o assim porque sempre procurava ensinar a ele sobre solidariedade e amor. Queria deixar uma mensagem especial para ele, a qual estava contida em seu apelido, pois Zap nada mais era do que Paz ao contrário. Infelizmente, a violência não poupou a pequena família que constituíam. Vítima de uma bala perdida, a avó havia deixado este mundo. Sem mais quem o cuidasse, Zyndal foi levado para longe favela onde morava, não só para outro lugar, mas para outra realidade. Continuou dedicando-se aos estudos, como a avó sempre pedia. Aos poucos, enquanto crescia, foi esquecendo do que viveu anteriormente e dos ensinamentos da avó. Alcançou o ensino superior e algum tempo depois uma vida estável. Cresceu, mas tornou-se frio.
Naquele instante, tudo fazia sentido. Aquele não foi, certamente, um sonho qualquer. Ele procurava trazer de volta para Zyndal à realidade que havia perdido. Aquela onde viveu parte da infância, assim como aquela que ainda existe atualmente, para a qual nunca tinha virado os olhos. Zyndal já não era mais a mesma pessoa que fora há um dia atrás. Estava transformado. Zyndal continuava olhando fixamente para a comoção no meio da praça. E ele sabia exatamente o queria da vida dali em diante.
O tempo não para, sendo que já fazia algum tempo desde aquela noite. Zyndal estava com agenda cheia. Caminhava a passos largos, com olhar fixo no horizonte, carregando a pasta com os bens utilizados no novo trabalho que fazia parte do seu cotidiano. Não gostava de chegar atrasado, afinal, haviam muitos esperando por ele. Logo se aproximou de um dos bairros mais pobres da cidade de onde viva. Foi avistado por várias crianças que gritavam pelo seu nome. Era a hora do dia de exercer o trabalho voluntário que sempre realizava nas mais diversas comunidades da região. Tornou-se um pioneiro no que fazia. Chegou até o local onde desempenhava suas atividades, recebendo a todos com um sorriso no rosto.
Trazemos aqui a terceira parte da história que criamos chamada: Sonho de uma realidade perdida. Você pode conferir as duas partes anteriores aqui e aqui.
Caminhava ofegante pelo estreito caminho por onde o jovem de face entristecida anteriormente havia desaparecido. A escuridão que há pouco tempo cobriu os céus tornava a visão de Zyndal densa. Guiava-se apenas seguindo o feixe de luz que reluzia o seu destino. Enfim havia chegado ao encontro do jovem Zap. Aquela área em especial se diferenciava do resto da favela, pelo fato de estar banhada pela luz que escapava do céu. Ao olhar para aquela construção, moderadamente diferenciada das casas que encobriam o morro sem fim, tinha-se a impressão de ainda ser de dia, ao contrário de todo o resto daquele universo que havia sido consumido pelas sobras. Da porta da construção, saiam pessoas. Pessoas sorridentes trajando roupas de organizações humanitárias com mensagens de igualdade, harmonia e solidariedade estampadas nelas. Estas pessoas traziam sacolas com alimento e roupas. Uma moça de cabelos ruivos e encaracolados entrega nas mãos de Zap uma sacola com pão. Ao tomar posse da sacola, o menino exalta um grito, e convoca todas as outras crianças que ali residiam.
De todas as partes começaram a surgir crianças. Pouco a pouco elas se reuniam nas proximidades do círculo de luz. Zyndal se surpreendera com o número de crianças que se concentravam naquele local. Era um número muito maior do que ele jamais poderia ter imaginado. No meio de tantos, Zap se destacava, distribuindo o alimento que recebera com todos que ali estavam presentes. Aquela cena mostrou-se de uma beleza surpreendente, a qual cativou o coração de Zyndal. Encostado no muro de um barraco fitou a cena por alguns momentos, até ter sido bruscamente interrompida por barulho. O tiro de uma escopeta ecoou por toda a favela. O som distraiu Zyndal da sua fixa observação, e ao voltar o seu olhar novamente para a cena que encantou o seus olhos, percebeu que não havia mais ninguém lá, e o feixe de luz que antes iluminava aquela área lentamente fechou-se diante dos seus olhos, deixando nada mais do que escuridão por toda a parte. Ele ouvia vozes, ouvia disparos, ouvia o som de veículos subindo o morro. Ele ouvia o caos. O coração antes tocado pela cena agora encontra-se num momento de tensão. Zyndal sai em disparada. Tragicamente aquela era uma realidade consumida pela violência, assim como também consumida pela escuridão repentina.
Entre barracos acreditou ter encontrado um esconderijo da violência que se agravava na região. Sentou-se num canto para aguardar o término daquela situação. Com o passar dos segundos, o barulho apenas tornava-se mais agudo. Inesperadamente, a favela é tomada pelo silêncio. Uma vez tomado conta disto, Zyndal se levanta. As nuvens do céu tornaram-se menos densas, transformando a escuridão num cenário semelhante a uma fria manhã nublada. Ao seu lado, aquele vulto que anteriormente se manifestara quando as nuvens escondiam a claridade aparecia novamente apontando para alguma coisa. Mais uma vez seguiu as direções daquele ser misterioso. Eis que então sua vista é tomada pela surpresa. Uma casa é rodeada pela multidão, por sua vez bloqueada pela polícia. A violência mais uma vez toma a vida de um inocente. Tratava-se de uma senhora idosa. Zyndal avista novamente Zap. Sua alma é tomada pelo pavor, ao ver que ele possuía um olhar muito mais entristecido do que quando primeiramente se encontraram. Aquela não era uma senhora idosa qualquer. Ele ouviu da boca de uma mulher próxima a ele que ela era única pessoa neste mundo que havia restado para cuidar dele. As palavras da mulher lhe afetaram de tal modo como se tivesse levado uma facada no peito. Aquela pobre criança já não tinha mais quem cuidasse dele. O menino é levado no carro da polícia, morro abaixo.
Quando o carro já não podia mais ser visto a olho nu, Zyndal mantém-se perplexo. Todas as cenas que presenciou lhe eram de alguma maneira familiares. Era como se ele sentisse em dobro toda a dor que aquela criança sofria. Seu momento de reflexão era novamente interrompido pelo vulto. Desta vez, Zyndal notou algo diferente. Ele percebeu que a escuridão que compusera a essência daquele vulto refletia algo, como se fosse um espelho. Ao olhar fixamente para o vulto, viu naquele reflexo não a sua face, mas sim o rosto de Zap. Naquele momento, o vulto começa a tomar uma nova forma. Zyndal se afastava lentamente dele, enquanto crescia e tomava o aspecto de uma espécie de monstro. Uma face distorcida torna-se visível, e aos poucos se transformava, até finalmente tomar forma, não de um demônio, mas sim a forma da própria face de Zyndal. Uma face que exaltava ódio e temor. O vulto move-se na direção dele, encobrindo-o completamente. Zyndal não se encontrava mais na favela, mas sim caindo dentro de uma dimensão obscura, onde não havia nada mais do além do próprio nada.
Não perca amanhã a postagem da última parte da nossa narrativa.
A charge desta semana possui várias interpretações, porém três chamaram nossa atenção.Uma um tanto quanto histórica e as outras duas de características modernas.
A interpretação histórica se refere aos tempos em que negros eram usados como escravos e traziam em suas costas o sustento de seus patrões. Em tal época os escravos eram tratados como animais trabalhando muito e recebendo em troca um prato de comida e um lugar para ficar.
A segunda possibilidade seria a de que na contemporaneidade as crianças africanas, frágeis e famintas, são tão impercebíveis aos olhos de quem tem uma vida normal, com alimento e roupas em bom estado, que poderiam ser comparadas a pequenas estruturas que sustentam uma mesa. Estruturas estas que ficam no chão e quando com sorte recebem algumas migalhas que a pessoa que esta ocupando a mesa deixou cair.
A terceira interpretação seria de que na atualidade o conforto de muitas pessoas é sustentado pelo trabalho árduo, quase escravo, de membros de classes inferiores. Pessoas que trabalham de sol a sol e muitas vezes não possuem dinheiro suficiente para sua alimentação.
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